[leia] A relação entre a compra de votos e a corrupção política
Por: Volmir Sabbi
Nesse momento de início do processo eleitoral nos municípios, ganha importância, novamente, a necessidade do debate a respeito da compra de votos. Essa prática, além de ilegal é imoral, pois representa uma forma de abuso do poder econômico no desvirtuamento da vontade da população no processo de escolha de seus governantes.
Essa prática tem, lamentavelmente, se apresentado como de utilização crescente nos últimos processos eleitorais brasileiros. A compra de votos deturpa e corrompe o processo de representação democrática.
Em um regime democrático, é através da eleição que os cidadãos escolhem aqueles que melhor representarão seus interesses e princípios. Esses representantes irão decidir em seu nome. Logo, deve haver uma identidade e uma proximidade ideológica entre representado e representante. A compra de votos quebra a legitimidade dessa representação.
É senso comum no Brasil a idéia de que os políticos fazem parte de um agrupamento que desfruta de pouca credibilidade. Esse senso comum afirma que não se sente representado pela classe política. Mas, quem foi que escolheu cada representante político? Não foi a própria população que depois se diz não representada?
É importante que fique claro a importância que tem a política em seu sentido mais amplo: de mediação das relações entre os elementos e agrupamentos em uma sociedade. Todas as regras de convivência em sociedade são definidas pela política, sejam regras penais, econômicas, sociais, culturais, esportivas, etc.
Nesse sentido não existem sujeitos apolíticos. Quem busca se classificar dessa forma, assume, na realidade, uma posição política: a de concordância com o que está posto e com a aceitação da decisão dos demais. Assume o ônus e o bônus de sua postura de omissão.
Dessa forma, ao se permitir que a escolha dos representantes políticos se faça com a importância crescente do estratagema da compra de votos, a sociedade está, de fato, pondo-se à venda. A compra de votos submete, progressivamente, a decisão do destino de uma coletividade de acordo com os interesses dos detentores do poder econômico.
Como é que se explica que alguém gaste numa campanha eleitoral muito mais dinheiro do que irá receber de subsídios ao longo de seu mandato? Parece lógico supor que quem faz isso pode estar tencionando recuperar o dinheiro de outra forma.
Esse círculo vicioso espúrio se auto-alimenta. O cidadão desavisado vende seu voto na busca um benefício momentâneo e egoísta. Ao fazer isso compromete um projeto de longo prazo e de interesse coletivo. O político desonesto se corrompe, pois precisa do dinheiro para comprar votos no próximo pleito eleitoral.
A sociedade precisa dar um basta nisso. Precisamos dar início a um círculo virtuoso, onde as pessoas se importem em discutir as questões políticas e pensem no interesse coletivo. Que as escolhas dos representantes sejam pelas suas qualidades e pelas suas propostas de trabalho.
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