Fomos procurados pelo músico José Marcone, conhecido por Dedezinho, que nos pediu espaço no blog para expor seu currículum profissional. Eis a seguir o relato que nos foi enviado:
José Marcone Torres Medeiros - Dedezinho
Nascido na Maternidade Claudina Pinto em Apodi-RN em 24 de setembro de 1972.
Entrou na escola de música em 1985, pela FUNDEVAP, estudou música com o professor João Evangelista de Sousa na qual tinha formação musical militar. Em anos seguintes já como músico pela Banda de Música Alex Maia conseguiu o bi-campeonato estadual de bandas na feira dos municípios. Em 1987 consagra o primeiro carnaval com a banda Dominantes na cidade de Brejo do Cruz, passando o carnaval, já tinha uma integração no grupo Dominantes do empresário Altino Dias de Paiva.
Nos anos noventa acabara de se formar a Banda dos Paquitos, hoje Antônio de Pádua Leite, ainda na regência de Evangelista passei pelo cargo de contra–mestre, sendo também o primeiro músico a reger o Hino Nacional Brasileiro .
Dedezinho na capital
Em meados de 93 cheguei na capital e fui recebido por cabo da PM Charles Newton Kelly (filho do maestro Evangelista) hoje sub-tenente, tive sorte que o cabo ia pra o ensaio da banda da polícia e me levava com ele. Por eu ter uma leitura bastante razoável, comecei a tocar com Cardoso e seus Metais, a formação do naipe era eu (pete) CB Lima (trombone) e o sub-tenente e maestro da banda da policia militar Apurinan (sax-alto).
Final de 93, abre uma vaga de trompete numa das maiores casas de show de natal, fiz o teste à tarde e a noite já estreei no Mandacaru Casa Show, saio do apartamnto do meu amigo e vou morar em um pensionato. O Mandacaru me propôs conhecer em pouco tempo a nata da música natalense, e foi neste ano que adquiri a minha carteira de músico profissional com a melhor nota em teoria musical OMB (Ordem dos Músicos do Brasil) 2.373RN.
No início de 1995, já com a conversão do real recebí proposta da concorrente Zás-Trás, na rua Apodi na qual aceitei a proposta de imediato. Era de um salário mínimo por semana e a carteira assinada (ainda tenho essa assinatura na minha carteira com muito orgulho), foi nessa casa que me casei e veio a minha primeira filha, Mariana Mozart Silva Torres. No final de 95 saí dos zás-trás pra fazer uma turnê no Brasil com Ivanildo o Sax de Ouro. Eu olhava pra Ivanildo e pensava... em apodi eu copiava as músicas de Ivanildo, hoje tocando com o próprio.
No inicio de 96 voltando da turnê. Recebo uma proposta pra viajar pra o Rio de Janeiro com a Banda Alphorria, meu teste era gravar uma música no estúdio de l som com o Alphorria e Babal (um artista local bastante respeitado por tocar com Geraldo Azevedo e vários artistas), foi onde conheci o trombonista Gilbeto Cabral e o saxofonista Bethoven, esse eu já conhecia desde a época dos Terríveis quando morava em Apodi. Então entramos no estúdio e desse dia em diante começou a história de um dos primeiros naipe de sopros do estado do Rio Grande do Norte a fazer nome no cenário nacional.
A história com o Cidade Negra e outros artístas
Alphorria já estourada em Natal é convidada pra fazer turnê no Rio de Janeiro. É em um desses shows que Toni Garrido (vocalista do Cidade Negra) ver toda banda tocando e elogia muito os metais, na outra semana, quem vem assistir ao show é Liminha, sócio de Gilberto Gil e o maior produtor musical do Brasil, na minha concepção. Após o término do show Liminha nos convidou para participar de uma faixa do CD E Erê. Gravamos a faixa S.O.S. Brasil, no estúdio nas nuvens um dos melhores estúdios do Brasil, foi ai que Liminha nos chamou e disse "vocês vão gravar o resto do álbum" (o erê sony music<primeira semana dois milhões de cópias).
A volta foi aquele 'blá blá blá', e apareceu convites pra gravar, muitos artista como Beto Barbosa, Eliane, Circuito Musical, Só a Nata, Walkiria Santos, Pedro Mendes, Cida Lobo, Elino Julião, Encontro Magnético, Zezo, Chacal, Simon Papa (Itália), Paulo Seixas (Israel), Valéria Oliveira, Lane Cardoso, Saia Rodada, Cavaleiros do Forró, Vaca Atolada, Terríveis, Montagem, Banda Mix, Arretado, Na Pisada, Stilo Musical, Ferruado, Genildo Cardoso, Israel, e vários outros artistas (todos esses artistas e músicos, eu tenho uma boa história pra contar e só entrar no meu face e perguntar), nesse período fiz muitas rádios e televisão (Faustão, Xuxa, Raul Gil, Vídeo Show, Programa H com Luciano Huck, O Positivo com Otaviano Costa, Tv Diário, Clip na MTV, etc...etc...
Banda de música
Tive oportunidade de fazer cachê na banda de música municipal de Natal, na sinfônica do estado, sou fundador da banda da Ribeira, a melhor orquestra de Frevo do estado, na qual faz parte músicos de todas as corporações militares, tenho orgulho de ter conhecido quase todos, e ter tocado com muitos deles.
A volta à minha terra amada apodi
Em 2006 já planejava voltar pra Apodi, foi quando recebi um convite para vir gravar o DVD dos Bonequeiros do Forró (Mossoró). O empresário Tarso Garcia me fez uma proposta tentadora, pra quem estava com vontade de voltar, foi só juntar a fome com a vontade de comer. Voltei a morar em Apodi e trabalhar em Mossoró, onde nasceu meu segundo filho na maternidade em que eu nascí (Arthur Marsailis), foi daí em que recebi uma outra proposta do município de Felipe Guerra para a Fundação de uma banda de música naquele município. Foram comprados 33 instrumentos para 33 alunos do Projeto Abelhar, conseguímos implantar um estilo um pouco diferente de banda de música com inclusão de guitarras, baixo, acordeon e outros. Conseguimos obter um resultado no final do ano fazendo apresentações no Teatro Municipal de Mossoró, e obtendo um ótimo resultado para Petrobrás (patrocinadora do Projeto Abelhar), e o município que até hoje ainda se contempla com o projeto, por motivos pessoais eu saio do Projeto Abelhar, passado um tempo, volto a ser convidado novamente para dar continuidade ao projeto.
Dessa vez eu fixei residência por um ano naquele município, na ocasião eu volto com a proposta de botar a banda na rua, imagine vocês que conseguímos desfilar com a banda de música na cidade, dentro desse projeto consegui fundar uma banda de forró, Forró Ferruado, uma de pop rock, um quinteto de metais e um pé de serra. Todas essas banda tinha o propósito de banda escola. Por mais um motivo pessoal (falta de pagamento salarial) saio novamente do projeto e fundo uma outra banda de forró, Forró de Casa ,também do município de Felipe Guerra, sem apoio do governo municipal foi muito difícil eu e o Bruno (meu sócio na banda), segurar aquela banda, mesmo assim, encerramos a banda com chave de ouro na festa de São Sebastião na cidade de Caraúbas em Janeiro de 2012.
No início de 2011 nasce o meu terceiro filho Gustavo Mazile.
Movimento de alguns bolsistas
Começamos um movimento para abolir as bolsas de 150 reais (contratos de um ano que só era pago seis ou sete meses), quero que fique bem claro que o Maestro Janilson foi totalmente contra o nosso movimento, foi então onde começou o movimento para mudarmos essa situação, movimento esse que só mudaria através da mudança daquela gestão, que já tinha deixado a banda de música no fundo do poço.
Em nenhum momento da conversa com o novo gestor ele prometeu o salário mínimo para os músicos, todos bolsistas e funcionários foram convidados para a Tocata de Cerimônia de posse do novo prefeito, pois a banda de música na sua atualidade não existia. Gorete tinha cortado todas as bolsas no ato pós–eleição, houve uma tentativa na festa de padroeira de reunir o grupo: funcionários e bolsistas, um verdadeiro fracasso na festa da padroeira, foi aí que surgiu a ideia do convite, pois não existia banda de música.
Observação: se no período de vinte anos a banda de música estivesse funcionando pelo menos o básico (ensaios, repertório e bolsas em dia), juro por deus que não precisaríamos de um outro maestro. Para sabermos se uma coisa é boa ou ruim precisamos experimentar primeiro. Críticas são aceitas depois de um trabalho executado, não pode vir as críticas antes de um trabalho não executado.
Digitado por José Marcone Torres Medeiros (Dedezinho) - instrutor de música
Qualquer pergunta : marconetrompete@yahoo.com.br Facebook
Obrigado meu deus por esse curriculum e os meus 23 carnavais em ativa . Sem esquecer do A.A. (Alcoólicos Anônimos) que pôde transformar minha vida em sobriedade alcoólica e a Ordem DeMolay (Mestre Conselheiro) por ter me educado antes de partir pra essa jornada musical.
Quero pedir ao poder superior muito obrigado por tudo.....
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